
Se as palavras fossem minhas, se as pudesse ter para mim de um modo inconcebível, se as pudesse invocar e torna-las parte do meu ser, se…
Algures, num sonho elas são minhas, faço delas aquilo que qualquer um faria se as tivesse, mas sou eu que as tenho agora, e vou fazer-lhes o que só eu posso fazer!
Já sinto o ar a invadir os meus pulmões sedentos de oxigénios, já sinto cada parte do meu corpo a pulsar a um ritmo jamais sentido, já te sinto a correr nas minhas veias. Chegas a cada extremo do meu corpo, e o efeito não se faz esperar, invadas-me como só um veneno consegue igualar, é notória a falta de controlo que me provocas, irreversível é como te posso qualificar.
Tic-tac-tic-tac (…) no tempo que este relógio vai marcando eu sei que já voei como uma águia, já corri como um cavalo, já nadei como um golfinho, algures no tempo que este relógio marcou eu já fui… já fui livre, já vivi cada momento, já senti a leveza do ar.
Eu sinto-o, é insustentável continuar a viver com a intensidade deste veneno, ele contamina cada pedacinho mais pequenino do meu ser, julgo até já ter ultrapassado as barreiras físicas, e talvez se tenha apoderado da minha alma, de forma subtil é claro, mas fora a ultima coisa que jamais pensei ver ser tirada de mim, eu poderei continuar a viver se me tirarem um dedo, mas não se me tirarem aquilo que eu sou, aquilo que faz de mim eu, que me faz ser diferente de todos os outros!
Não! Assim recuso-me a continuar esta luta, prefiro deveras baixar os braços perante o seu poder, a ser parte integrante de si! Cobarde? Talvez, mas eu prefiro acreditar que é uma questão de dignidade, uma tentativa frustrante de fazer com que ele, o veneno, olhe para si e tome consciência de quantas vidas têm destroçado, de quantos corações já deixaram de bombear sangue por sua causa.
Oh, não… Ele vêm ai, oiço-a a subir as escadas que me separam do rés-do-chão, não tarde irá inrromper pela porta! Quem me dera conseguir encontrar dentro de mim um escudo e conseguir projecta-lo para fora de mim, não para fazer dele um prisioneiro, mas apenas para não me consumir, como eu digo às vezes em sonhos meus eu consigo imaginar uma sã convivência com este veneno!
“Tem de ser assim?
-Sim tem de der…”